História do Município 
de São Francisco de Paula

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São Francisco de Paula, na Serra Gaúcha, surgiu no início do século 18, como parada no caminho das tropas de gado do Rio Grande para o centro do país. Os primeiros habitantes de São Francisco de Paula foram os índios Caáguas ou Caaguaras, que estendiam suas aldeias pelas Serras Geral e do Mar e usavam pelegos para se aquecer no rigoroso inverno. Por volta de 1.700, estavam praticamente dizimados por bandeirantes e por doenças. 
A cidade de São Francisco de Paula teve seu início com o Capitão Pedro da Silva Chaves, que doou uma pequena parte de suas terras para o patrimônio de uma igreja.
O município teve sua sede administrativa inaugurada em 07 de janeiro de 1903 e hoje, carinhosamente chamado de São Chico, é um dos maiores municípios do Rio Grande Sul, com quase 3.300 Km² de área, numa altitude entre 900 e 1.000 metros, com um clima frio no inverno, quando a neve reserva momentos de rara emoção e beleza, e as quatro estações bem definidas. 
O ondulado dos campos, bordado de matas de araucária é recortado por vertentes que banham boa parte do Estado. A identidade de São Francisco de Paula pode ser reconhecida em cada serrano, pois os costumes tradicionalistas estão presentes no dia - a - dia da comunidade, nos eventos, na culinária e nas lidas campeiras.
São Francisco de Paula, integrante dos Campos de Cima da Serra, Região das Hortênsias e Rota Romântica, tem hoje uma estrutura de hospedagem, gastronomia, lazer, compras e serviços que não é nem pretende ser grande, quer apenas ser autêntica e boa o bastante para surpreender os visitantes. É no encanto dos pequenos negócios, tocados pela gente da casa, que reside o sucesso de São Chico.

É importante frisar alguns dados que em todos os documentos publicados deixaram de constar:
1- O nome exato é CAAGUARAS, só, pois CAÁGUA- designava a região onde moravam os caaguaras que compreendiam os campos de cima da serra (uma parte de Bom Jesus, Cambará do Sul, Jaquirana (onde temos alguns fósseis)e grande parte de São Chico.
2- Os caaguaras não falavam, comunicavam-se entre si através de grunhidos e gritos, eram muito pacíficos.
3- Eram conhecidos também por COROADOS, porque revestiam a parte de suas cabeças com uma mistura de cera e mel silvestre.
4- Eram os últimos remanescentes dos sambaquis da América do Sul (Pré-história).
5- Foram dizimados pelos bandeirantes e pelos Caiangangues, habitantes das matas da região de Caxias do Sul, muito ferozes, tribo esta que matou o Jesuíta D. Cristóbal de Mendoza, no local da Água Azul, em Sta. Lúcia do Piaí, Caxias do Sul.
6- Os CAAGUARAS que não foram mortos, foram levados pelos Jesuítas para as Missões e lá foram a extinção.

Com as incursões bandeirantes rumo ao Sul do Brasil, terminaram como presas fáceis dos paulistas de Sorocaba que fizeram destes índios mão-de-obra escrava.

Por volta de 1700, estavam praticamente dizimados pelos bandeirantes e por doenças.

No final do século XVIII, com a expansão da mineração na zona das Gerais, paulistas, lagunistas e outros desceram para o Rio Grande do Sul, para buscar mulas para a zona mineradora, já que nosso Estado passou a ser o grande fornecedor de animais de tração, próprios para a atividade extrativa.

Neste contexto, entra São Francisco de Paula, pois o caminho das tropas partia da altura de Palmares do Sul, atravessava o atual território de Santo Antônio da Patrulha, alcançava o planalto pelos Campos de Cima da Serra, indo na direção de Lages, avançando para Sorocaba. Foi com o transitar dos tropeiros por este caminho que teve início o processo de ocupação dos Campos de Cima da Serra, recebendo os primeiros sesmeiros.

O capitão Pedro da Silva Chaves, um português estabelecido em Itu (SP), foi um dos pioneiros. Assim escreve o historiador e professor Ruy Ruben Ruschel: ''Andei estudando um texto do antigo historiador Manuel Duarte e cheguei a interessantes conclusões. A atual área urbana franciscana pertenceu, desde antes de 1742, ao famoso Francisco Pinto Bandeira, que a legalizou em 1752, com o nome de FAZENDA DA CRIA, topônimo que ainda se conserva nos arredores dessa cidade. Conforme constatei, pela análise de outro documento um roteiro de 1745, o dito fazendeiro desloco-se uns 10 km mais para leste, fixando-se nas cabeceiras do Arroio do Pinto, afluente superior esquerdo do Rio Santa Cruz. Do nome do célebre fazendeiro teria surgido a denominação do rio - Rio do Pinto.

É então que o capitão Pedro da Silva Chaves lhe compra a área em que hoje está inserida a cidade. Mas onde estaria a sede dessa nova fazenda? Seria na mesma zona da '' Fazenda da Cria '' anterior? O certo é que o capitão Pedro da Silva Chaves já possuía outros campos a leste, vindo a adquirir, depois, também, a '' Fazenda do Cerrito'', ao Norte, e outras mais, tornando-se um dos latifundiários mais importantes da região. Ele ou seus herdeiros é que doaram à comunidade a área que hoje contém o centro urbano''.

A cidade de São Francisco de Paula, portanto, teve seu início com Pedro da Silva Chaves, militar português, natural de Lisboa, casado com Gertudres de Godoy, descendente de ilustre família paulista, natural de Itu. Como se depara, ele teria doado uma porção de terra, juntamente com algumas vacas, para o patrimônio de uma capela que ele mesmo construira e que seu filho, o padre José da Silva Leal Lemos, viria a ser o primeiro capelão, ali rezando suas missas.

A esta igreja, Pedro, falecido em 1777, lhe dera o nome de São Francisco de Paula, por ser o santo de sua devoção.

Em 1809, a Capitania do Rio Grande de São Pedro do Sul, hoje estado do Rio Grande do Sul, era dividida em quatro grandes municípios: Porto Alegre, Rio Grande, Rio Pardo e Santo Antônio da Patrulha.

Santo Antônio da Patrulha era constituída da Vila de Santo Antônio da Patrulha, que era a sede do Município das freguesias de Nossa Senhora da conceição do Arroio ( hoje Osório) e Nossa Senhora da Oliveira da Vacaria ( hoje Vacaria ) e do povoado de Cima da Serra ( hoje São Francisco de Paula ).

De Santo Antônio da Patrulha, que foi nosso município mãe fizeram parte as freguesias de Nossa Senhora das Oliveiras da Vacaria e de Nossa Senhora da Conceição do Arroio e as Capelas de Santa Cristina do Pinhal, São Domingos das Torres e Povoados de Cima da Serra.

Assim, em 1835, São Francisco de Paula tinha a denominação de Capela, desconhecendo-se a data de elevação a essa categoria, sabendo-se, entretanto, que já existia uma igreja.

Pela Lei Provincial n.º 266, de 30 de novembro de 1852, a capela de Cima da Serra, foi elevada à categoria de FREGUESIA DE CIMA DA SERRA, cujo território continuou pertencendo a Santo Antônio da Patrulha.

Em 24 de maio de 1878, pela Lei n.º 1.152, passou à categoria de Vila, ficando assim, com a denominação de SÃO FRANCISCO DE PAULA DE CIMA DA SERRA. Sua instalação verificou-se em 15 de outubro de 1878.

Pela Lei n.º 1.750, de 15 de março de 1889, foi extinto o Município de São Francisco, anexando-o ao de Taquara do Mundo Novo ( hoje Taquara ). Entretanto, a 06 de dezembro do mesmo ano, o Governo do Estado, por Ato n.º 26, revogou a referida lei.

Em 1º de setembro de 1892, face ao Ato n.º 302, o município de São Francisco de Paula era extinto e anexado ao vizinho município de Taquara do Mundo Novo, novamente.

Pelo Decreto n.º 563, de 23 de dezembro de 1902, foi restabelecido, definitivamente, o município de SÃO FRANCISCO DE CIMA DA SERRA, sendo essa sua data de Criação.

'' Que condições econômicas São Francisco de Paula tinha, na ocasião de sua emancipação?''

'' Por que ele se emancipara e, depois, torna a ser anexado a Taquara?''

Verifica-se que foi uma questão econômica. São Francisco, do ponto de vista econômico-financeiro, era bastante fraco, em função da própria atividade a que se dedicava. Havia muitas disputas políticas, o que, também contribuiu, de maneira secundária.

Nesta época, São Marcos decide se anexar a Caxias. A grande reclamação era de que São Francisco não atendia São Marcos. Não havia escolas, nem estradas, nenhuma infra-estrutura. Não por má vontade de São Francisco, porque este também não possuía.

A primeira professora da região foi nomeada pela Câmera de Santo Antônio da Patrulha-Professora Maria Luísa.

São Francisco sempre teve, no século passado, muitos altos e baixos. De modo especial, os ASSISISTAS, os BORGISTAS e os MARAGATOS, na grande divisão que tínhamos lá. Inclusive, se fala muito de refúgio da Guerra do Paraguai, da Guerra dos Farroupilhas. Escondiam-se nas invernadas de São Marcos e na região que vai até Vacaria.

Em 1889, eles não tinham condições financeiras de levar o município adiante. Ficaram seis meses dependendo de Taquara.

Depois, acharam que tinham condições e retornaram, no fim do ano de 1889, à categoria de município.Agüentaram três anos, pedindo, novamente, socorro à Taquara.

O município de São Francisco só conseguiu se organizar e estruturar, quando JONATHAS ABBOTT, vindo de Porto Alegre, foi nomeado para a função de intendente, em 1902. Daí para a frente o município começou a estruturar-se administrativamente.

Quando os próprios nativos de São Francisco estavam dirigindo os negócios, em função das divisões existentes, enfrentavam dificuldades devido às disputas políticas. Um segmento estando no poder, o outro, naturalmente, estava "armado" para destituí-lo do mesmo.

A instalação administrativa do município verificou-se no dia 07 de janeiro de 1903.

O cargo de primeiro mandatário do município denominava-se INTENDENTE, denominação que perdurou até a Revolução de 1930. A partir de 1931, passou à denominação de PREFEITO.

São Francisco de Paula teve os seguintes intendentes:

1º- Jonathas Abbott (1903-1904)

2º- Marcílio Castilhos de Andrade ( 1904-1907)

3º- José Moraes Serrano ( 1907-1918)

4º- Urquiza Costa (1918-1919)

5º- Ten. Cel. Alfredo Weber ( 1920)

6º- Odon Cavalcanti Carneiro Monteiro (1921-1926)

7º- Elizário Paim Neto (1927-1930)

A seguir os nomes dos Prefeitos:

Dr. Antônio Veríssimo Ribeiro 1931-1934

Dr. Alfredo da Costa Lucena 1935-1937

Alziro Torres Filho 1938-1947

Zeferino Teixeira de Oliveira 1948-1951

- Vice-Prefeito: Edmundo Dantas Furtado

Remígio Nodari 1952-1955

- Vice-Prefeito: Dr. Santo Borneo

Dr. Ângelo Athanásio 1956-1959

- Vice-Prefeito: Zeferino de Oliveira Teixeira

Dr. Bellerophonte Albuquerque 1960-1963

- Vice-Prefeito: Luciano José da Silva Netto

Podalyrio Alves da Silva 1964-1968

- Vice-Prefeito: Dr. Ângelo Athanásio

Orival Ventura Maciel 1969-1972

- Vice-Prefeito: Dr.Ênio Brusque de Abreu

Luiz Antônio Salvador 1973-1976

- Vice-Prefeito: Eron Pinto dos Santos

Escobar da Silva Nunes Marques 1977-1982

- Vice-Prefeito: Dr. José Sérgio de Lucena Maggi

Luiz Antônio Salvador 1983-1988

- Vice-Prefeito: Dr. Waldor Paulo Albrecht

Dr. Décio Antônio Colla 1989-1992

- Vice-Prefeito: Dr. Elon Wood Barcellos

Dr. Moacir Castello Branco de Albuquerque 1993-1996

- Vice-Prefeito: Luiz Telmo Mazoti

Dr. José Sérgio de Lucena Maggi 1997-1999 (In Memorian)

- Vice-Prefeito: Odilo Andrade Vieira 1999-2000

Sérgio Foscarini da Silva 2001-2004

- Vice-Prefeita: Margarete Medeiros Marques 

Décio Antônio Colla 2005 - 

- Vice-Prefeito: Rui Barbosa Santos Paim 

OBSERVAÇÕES GERAIS:

Até 1947, não havia o cargo de vice-prefeito, mas de subprefeito, nos distritos.

Em 1945, na ausência temporária do Prefeito ALZIRO TORRES, assumiu a Prefeitura o DR. ARNO SATURNINO ARPINI, Juiz de Direito da comarca.

ALZIRO TORRES FILHO assumiu o governo do Município, em 1946, nomeado pelo desembargador SAMUEL SILVA, então Interventor Federal no Estado.

Em 31 de dezembro de1963, em virtude da eleição de 15 de novembro do mesmo ano apresentar maior número de votos em branco do que o único candidato concorrente, na qualidade de Presidente da Câmara de Vereadores, recém eleita, assume, interinamente, o governo municipal, o senhor ORIVAL VENTURA MACIEL, serventuário da Justiça e natural de São Francisco, que dirigiu a administração até 15 de março de 1964, quando houve nova eleição.

Os candidatos que tiveram suas candidaturas impugnadas para a eleição de novembro de 1963, foram os senhores LUCIANO JOSÉ DA SILVA NETTO e MÁRIO FOGAÇA, por motivos de erro na ata da convenção do partido.

Em 15 de março de 1964, foi eleito prefeito o senhor PODALYRIO ALVES DA SILVA, tomando posse, ainda no mês de março. Seu mandato deveria terminar em dezembro de 1967, entretanto, por Decreto Federal do Governo Militar, os mandatos dos prefeitos daquela legislatura foram prorrogados até 31 de janeiro de 1969.

 

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